quarta-feira, 23 de março de 2016

Celebrar a Páscoa....

Saudações missionárias! Nesta semana santa e iniciando o tríduo pascal, expresso os desejos de que todos possam celebrar intensamente estes dias que nos conduzirão à RESSURREIÇÃO, celebrada no domingo de páscoa. Em minhas leituras realizadas nesta semana, achei interessante o texto abaixo, e por isso partilho na íntegra com todos que nos acompanham. Boa leitura e uma forte vivência pascal à todos nós!

SIMÃO PEDRO



Aquela noite de quinta-feira foi ocasião mais terrível de minha vida. Noite de minha vaidade e humilhação, de ódio e sofrimento. Como poderia esquecê-la?
De manhã, Jesus nos informou que desejava celebrar a Páscoa conosco naquele mesmo dia, por isso mandou que João e eu preparássemos a ceia (cf. Lc 22,7-12). Ninguém entendeu muito bem o porquê daquele pedido, já que a lei judaica estabelecia que a ceia deveria ser celebrada na véspera da Páscoa. Algo me dizia que aquela ia ser especial, talvez a última na companhia de Jesus.
Como não sabíamos em que local seria realizada a ceia, Jesus pediu que procurássemos um homem com um jarro sobre o ombro. Assim fizemos; após atravessarmos o arco de pedra do grande portal da cidade, detivemo-nos diante das primeiras casas do bairro baixo, onde o encontramos encostado à muralha. Ele parecia saber de tudo e nos conduziu a uma casa muito grande; logo começamos os preparativos. Além do cordeiro, providenciamos pão, figos, mel, azeitonas, ervas e vinho.
Jesus chegou ao anoitecer. Enquanto conversava animadamente com os donos da casa, nós entramos no local predeterminado. Imediatamente, percebemos que, à entrada da sala, havia muitas bacias com água. De acordo com a lei judaica, antes de os convidados se sentarem à mesa, os criados deveriam lavar-lhes os pés. Depois, os convivas lavavam as mãos. Todavia, na ocasião, como não havia serviçais, quem se encarregaria dessa tarefa? Devo confessar (humildemente e com muita vergonha) que tanto eu como os outros tivemos este pensamento: “Eu jamais me rebaixaria a ponto de lavar os pés dos demais, como se fosse um criado”.
Em silêncio, constrangidos, evitamos qualquer comentário sobre o assunto. Em seguida, cada um foi ocupar seu lugar à mesa. Quando apareceu à porta do cenáculo, Jesus olhou em direção aos lavatórios. Assegurando-se de que ainda não haviam sido utilizados, ele nos falou com muito carinho:
- Desejei ardentemente comer esta ceia pascal com vocês, antes de padecer. Portanto, eu declaro que não mais tornarei a comê-la, até que esta se realize no Reino de Deus (cf. Lc 22,15).
Nesse momento, Tadeu passou a servir o primeiro de quatro copos de vinho, enquanto Jesus observava tudo em silêncio. De acordo com a lei, uma vez esvaziado o primeiro copo, os comensais deviam se levantar e lavar as mãos. Como sabíamos que Jesus não gostava de formalidades, aguardamos com interesse o desenrolar dos fatos. Mas, diante da surpresa geral, ele se levantou e caminhou silenciosamente até as bacias de água. Então, ficamos olhando uns para os outros quando ele retirou o manto, amarrou um pano na cintura e, carregando uma bacia d’água, deu uma volta completa à mesa. Após parar onde eu estava, ajoelhou-se com grande humildade e mansidão e pôs-se a lavar meus pés (cf. Jo 13,5). À vista da cena, levantamo-nos simultaneamente, porque ficamos admirados ao perceber que ele havia arcado com o trabalho de um criado qualquer, recriminando assim nossa mútua falta de consideração e caridade.
Quando o vi ajoelhado diante de mim, meu coração se incendiou. Eu o amava acima de tudo e de todos. Ao vê-lo como um insignificante criado e disposto a fazer aquilo que nós havíamos recusado, compreendi meu erro e tentei dissuadi-lo da tarefa. Como não queria que se ajoelhasse na minha frente, protestei energicamente.
- Senhor – disse -, jamais vai me lavar os pés!
Após olhar-me amorosamente, ele respondeu:
- Pedro, embora não compreenda agora, vai entender o significado deste gesto mais tarde. Se eu não lavar seus pés, você não terá parte comigo.
Ao ouvir aquelas palavras, fiquei resignado. Então, não suportando seu olhar fixo e penetrante, falei:
- Então, Senhor, não me lave somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.
Jesus respondeu:
- Quem tomou banho não precisa lavar senão os pés, pois está inteiramente limpo. Vocês também estão limpos, mas não todos.
Enquanto se fazia um silêncio geral, Jesus foi lavando os pés de cada um. Ao término da tarefa, vestiu a túnica e retomou seu lugar à mesa. Nesse instante, uma grande melancolia transpareceu em seu olhar, e ele nos informou que um de nós o trairia naquela noite (cf. Jo 13,21). Era Judas, que, ao ser desmascarado, se levantou da mesa e saiu pouco antes de ser servido o terceiro copo de vinho, o das bênçãos.
Eu tremia de indignação, e sentia que o sangue me martelava as têmporas. Trair o Mestre? Como ele pôde fazer isso? Mas Jesus apenas me olhou, e eu permaneci em meu lugar, como se fosse de pedra. Naquele momento, ele pegou o pão, partiu e o distribuiu, dizendo que era seu corpo, que seria oferecido na cruz por nós. Em seguida, fez o mesmo com o cálice de vinho, dizendo que era seu sangue, que seria derramado por nós. Lembrei-me de suas palavras na Galiléia:
- Eu sou o pão vivo, que veio do céu. Quem não comer da minha carne e não beber do meu sangue, não terá a vida (cf. Jo 6,35).
Naquela hora, quando disse aquelas palavras, seu conteúdo nos pareceu incompreensível. No entanto, na ceia, Jesus revelou que nos deixava sua carne e seu sangue na forma de pão e de vinho. Ao término da cerimônia, fez um longo discurso, que nos pareceu ser um testamento, o qual finalizou com palavras carregadas de muita emoção (cf. Jo 13, 33-38). Depois, rezamos salmos e cantamos hinos, e isso nos fez ficar mais emocionados. Em silêncio, ele ouvia, enquanto rezávamos e cantávamos com a voz embargada, naquela que seria a nossa última noite com o Mestre.
Era sua despedida, e nós não sabíamos disso. Dentro de algumas horas, ele seria preso, e a separação, definitiva. Ao final dos hinos, Jesus pediu que o acompanhássemos até o monte das Oliveiras para orarmos ao Pai Celestial a fim de que concedesse a força necessária para enfrentar com coragem os momentos difíceis. Então saímos e o seguimos ladeira acima. Como precaução, peguei um facão e o escondi sob as vestes, disposto a usá-lo se fosse necessário.
Enquanto caminhávamos, ele disse que nos deixaria sozinhos, e tive medo. Também revelou que, naquela noite, Satanás nos experimentaria. Mas eu agarrava firmemente o facão, sentindo-me seguro de mim mesmo. A certa altura, disse-lhe que, em sua companhia, iria até a prisão e a morte, se fosse preciso. Ele me olhou com tristeza e piedade e revelou que, ainda naquela noite, antes que o galo cantasse duas vezes, eu o negaria três vezes (cf. Mc 14,30).
Aquelas palavras me soaram como ofensa. Como ele podia duvidar de minha lealdade? Eu apertava o cabo do facão e me sentia como um leão, pronto a enfrentar qualquer eventualidade.
Após chegarmos ao monte das Oliveiras, Jesus pediu que rezássemos e vigiássemos; em seguida, ele se enveredou por entre as árvores. Banhados pela luz do luar, podia-se perceber que estava rezando. Em um dado momento, levantou os olhos para o céu e exclamou, com voz forte:
- Pai, se quiser, afaste de mim este cálice! Contudo, não se faça a minha vontade, mas a sua! (cf. Lc 22,42).
Cansados, deitamo-nos ali mesmo e dormimos. Então ele veio até nós e nos repreendeu, porque não fomos capazes de vigiar uma só hora com ele; logo após, pediu novamente que vigiássemos e rezássemos (cf. Mc 14,37-39). Mal havia se distanciado, e caímos em um sono profundo.
Então ele retornou e, compadecido de nosso cansaço, disse que podíamos continuar dormindo. De repente, ouvimos um grande barulho. Era judas, que chegava com um destacamento militar romano e com guardas do templo, enviados pelos fariseus, sumo sacerdotes, escribas e anciãos para prenderem Jesus (cf. Lc 22, 47).
Antes de prendê-lo, as elites de Jerusalém e as autoridades do templo haviam procurado desacreditá-lo diante do povo. Acusaram-no de ser samaritano, glutão, beberrão e amigo de pecadores, publicanos e prostitutas. Além disso, disseram que não praticava o jejum, que estava louco e era endemoninhado.
Quando vi aqueles mal-encarados com as mãos sobre Jesus, desembainhei meu facão e comecei a golpear às cegas. De uma só vez, arranquei a ponta da orelha direita de Malco, um dos servos de Caifás. Jesus virou-se para mim com uma postura recriminatória e me mandou jogar fora a arma.
- Quem com a espada fere com a espada morrerá – disse. Após olhar-nos, continuou: - Não compreende que é vontade de meu Pai que eu beba este cálice?
Enquanto isso, Malco retorcia-se de dor. Jesus, em um gesto humanitário, recolheu a ponta da orelha no chão e recolocou no lugar. Em questão de segundo, os gemidos diminuíram (cf. Jo 18, 10).
Após imobilizar Jesus com grossas cordas, o oficial dirigiu-se a seus homens, ordenando que prendessem também aquele “grupo de fanáicos”, segundo a própria expressão. Mas a patrulha não reagiu a tempo, e conseguimos fugir do local.
Depois, ele foi conduzido à casa do sumo sacerdote Caifás, a maior autoridade do templo. Triste e confuso, eu o seguia ao longe e permaneci no pátio. Em meu íntimo, pensava onde estaria minha valentia. Sentia-se fraco, cansado e com frio. No meio do local, ardia uma grande fogueira, da qual me aproximei, tiritando. Nesse instante, uma criada apontou em minha direção, dizendo:
- Este homem estava com ele! (cf. Jo 18,17)
Naquele momento, tive medo de ser preso. Eu, que acreditava ser forte e corajoso, temi uma simples empregada; então, respondi que não o conhecia. Ela se calou. Algum tempo depois, o frio havia penetrado em meus ossos, e a covardia invadia minha alma. Percebi que um homem me olhava fixamente e disse ter a impressão de que me conhecia também. Neguei de novo, ainda mais temeroso de ser descoberto.
Nesse ínterim, uma aurora cinzenta e triste se aproximava; assim estava minha alma. À primeira luz do dia, outro homem me fitou e, reconhecendo-me pelo sotaque galileu, disse:
- Na verdade, este homem estava com ele!
- Não! – retorqui com força.
Na mesma hora, o galo cantou (cf. Jo 18, 27). Ao ver que Jesus estava sendo conduzido ao Sinédrio, recordei-me de suas palavras. Como ele havia predito, eu o renegara três vezes. Eu, que acreditara ser forte e me gabara de ser corajoso, o tinha negado por fraqueza.
Corroído pelo remorso, saí do pátio e chorei, com muita amargura por ter renegado o meu Mestre e Senhor. As lágrimas escavavam sulcos de vergonha em meu rosto de discípulo infiel.
Aquela foi a ocasião mais terrível de minha vida. Noite de minha vaidade e humilhação, de ódio e pranto. Como poderei esquecê-la?


Fonte: SILVA, Raimundo Aristides da. A vida de Jesus narrada aos jovens. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 65-72. – [coleção esperança jovem]







‘Tesão’ pelo Reino....

A primeira imagem que certamente nos remete a palavra “tesão”, conecta-se ao sexo (desejo, impulso sexual, excitação), porque assim passou a ser usado o termo na sociedade. Convém aqui explicar o seu emprego no presente texto e para isso toma-se como base a sua etimologia, segundo o dicionário Aurélio (1999, p. 1951), do latim tensione, “tensão”, significando “força, intensidade”. É neste sentido que se quer partilhar o tema trabalhado no I NOVINTER (Encontro de noviços das diversas congregações masculinas e femininas) promovido pela CRB-Regional Campinas, nos dias 06 a 11 de março de 2016, na Casa de Retiros “Siloé” (Mosteiro de São Bento), cidade de Vinhedo - SP.
O encontro teve como tema “Opção fundamental e afetividade”, assessorado pela Ir. Maria Aparecida Pieroni (Ir. Cidinha - Psicóloga). A chegada ao local foi no domingo a noite, marcada pelo jantar, acolhida, apresentação da dinâmica do encontro a ser vivenciada ao longo da semana, e a oração conduzida por nós, Xaverianos.

Na segunda-feira (07) e assim todos os dias, as atividades iniciaram com a missa as 7:00hs, seguida do café e logo após o desenvolvimento do tema no auditório. O primeiro dia foi momento de integração, conhecimento do outro, aproximação e formação de Grupos de Vivência a serem usadas ao longo do ano. Serão 5 encontros no decorrer de 2016 e o último acontecerá em outubro.
No segundo dia desenvolveu-se o tema, servindo dos diversos instrumentos: filmes, explanações, dinâmicas, grupos, plenária, etc. Foi um convite a olhar a própria caminhada, tomar consciência da etapa formativa que é o ‘noviciado’ (novidade de viver o seguimento de Jesus na Vida Religiosa Consagrada, como nos foi lembrado). Nessa busca, a opção fundamental da própria Vida Religiosa por Jesus Cristo e seu Reino, assim como a afetividade como dimensão da pessoa humana, necessita ser conhecida, cultivada, trabalhada, para que a consagração religiosa não seja uma fuga e possa de fato expressar a sua beleza profética no mundo.
Todo o trabalho desenvolvido recordou que nenhuma pessoa pode viver sua sexualidade por instinto, como vive um animal qualquer. É preciso um autoconhecimento como pessoa para incluir o próprio processo da opção vocacional, considerando que o seguimento de Jesus Cristo implica identificar-se (ser) com Ele e não apenas imitá-lo (fazer). Com base nesta identificação, o consagrado é chamado a canalizar todas as suas energias para a expansão e concretização do Reino na humanidade inteira.

Além da abordagem temática oportuna e atual, o encontro favoreceu a comunhão, a partilha, a amizade, e constituiu-se espaço de crescimento vocacional a todos os participantes. Que sejam encontros produtivos e alegres no decorrer do ano que apenas inicia seu ciclo! Boa caminhada a todos nós!

quinta-feira, 17 de março de 2016

ConVOCAÇÃO 2016!!!

A Comunidade do NOVICIADO realizou nos dias 05 e 06 de Março (Sábado e Domingo) o I CONVOCAÇÃO, encontro vocacional aberto aos jovens de 15 a 30 anos (masculino e feminino), na Paróquia São Guido Maria Conforti (Hortolândia - SP). Participaram cerca de 47 jovens, da própria paróquia e advindo das cidades próximas como, Piracicaba e Limeira. O encontro ocorreu na chácara xaveriana “Todos irmãos”, com a chegada dos participantes no sábado (05) as 8:00hs. Após o credenciamento, reuniram-se para o momento de acolhida, orientações, oração, onde se agradeceu a Deus pela resposta e abertura que cada jovem colocou para esses dias de vivência. Após isso, houve o café da manhã, espaço que serviu também para integração entre os presentes.
Acolhida e oração inicial com Evanderson e Ir. Catarina
Além dos xaverianos anfitriões, padres (Pe. Lucas, Pe. Alfiero, Pe. Giovane) e formandos (Evanderson, Everson, Geovanni, Gilberto, Giomar), estiveram colaborando e dinamizando o encontro os religiosos e religiosas: Ir. Catarina da Silva (Xaveriana); Ir. Aparecida Bianchini (Franciscana da Beata Angelina); Ir. Eleonor (Congregação São Paulo de Chartes); Ir. Isabel da Costa (Marykoll of Dominicanas); Pe. Thiago Rodrigues (Xaveriano, Curitiba-PR); Pe. Domênico Borrotti (Xaveriano, Superior Regional); Pe. Gabriel Guarnieri (Xaveriano, Coronel Fabriciano-MG). Também lideranças leigas da paróquia São Guido: o casal Geraldo e Lucelena; a leiga consagrada Cidinha.
Noviço Geovanni Castelli
O encontro abordou 4 eixos temáticos, procurando de maneira sistemática oferecer uma visão panorâmica sobre VOCAÇÃO:
1)- ‘Deus te chama pelo nome’- iluminada pelo texto bíblico de 1 Samuel 3, 1-19, destacou a vida como a primeira vocação, a família como lugar do cuidado desta vida e a responsabilidade na educação da fé realizada em comunidade. Enfatizou-se ainda o diálogo entre Quem chama (Deus) e Quem é chamado (Homem), os lugares onde Deus chama (que não é no extraordinário, mas na vivência do cotidiano) e a reação do vocacionado diante do chamado (o sentimento de incapacidade, o resistir em aceitar, o questionar-se sobre como ocorrerá tudo isso).
Noviço Giomar Henrique
2)- ‘Aquele que vos chamou é fiel’- meditação bíblica sobre a vocação, reconhecendo que é Deus o sujeito nesta relação, sendo Ele quem primeiro escolhe o ser humano. Reconhecer isso possibilita responder “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6, 8).
Noviço Everson Kloster falando sobre o tema

3)- ‘Projeto de Vida como instrumento no processo de discernimento vocacional’- refletiu sobre a importância de elencar os sonhos, as metas, identificando a realidade individual e a necessidade de dar passos para alcançar o ideal. O Projeto de Vida torna-se assim uma construção permanente, configurando-se na ferramenta que proporciona sintonizar o caminhar pessoal com os sonhos de Deus para a humanidade. Aqui a frase “qualquer coisa me serve”, não cabe.
Noviço Gilberto Santos conduzindo a reflexão com os jovens

4) ‘Onde Deus me chama?’- pinceladas sobre as vocações específicas na Igreja, enfatizando que cada uma possui sua importância e riqueza: Vocação à Vida Religiosa Consagrada; Vocação sacerdotal; Vocação matrimonial; Vocação leiga na Igreja. 
O casal Geraldo e Lucelena falando sobre a vocação matrimonial
           Concluiu-se o sábado com o terço vocacional missionário, seguida da Celebração Eucarística presidida pelo padre Thiago Rodrigues.


Pe. Thiago na Missa campal com os jovens 
          O domingo (06) iniciou com a Missa na Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora, presidida pelo padre Alfiero e animado pelos participantes do encontro. Após, ofereceu-se o café da manhã, prosseguindo com os trabalhos em grupos. Para este momento, dividiu dois grupos: rapazes e moças. Aos jovens, os Xaverianos apresentaram o carisma da congregação, a história, e responderam as perguntas e curiosidades indagadas pelos mesmos. Com as jovens, as irmãs se reuniram e dinamizaram o encontro falando da especificidade de cada família religiosa e esclarecendo as perguntas suscitadas pelo grupo.

Momento penitencial junto a Cruz

No período da tarde foi momento de avaliar o encontro, fazer encaminhamentos para os que desejam iniciar um acompanhamento mais de perto e agradecer a presença e a disponibilidade de todos. Concluiu-se assim com a Celebração da luz as 17:00hs, enviando os jovens participantes para os seus respectivos ambientes e comunidades. Certamente os dias vivenciados em grupo foram espaços ricos da graça de Deus, que suscitou no coração de cada participante a luz do chamado. Que este despertar seja agora cultivado no dia-a-dia e que a resposta generosa e alegre seja em favor do Reino, na diversidade das vocações existentes na Igreja.

Encerramento do encontro

“Surisawa!” (Alegria!)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Outro Eu...O dom da amizade...

"Cumprimentos de feliz ano novo! Que o coração humano seja o abrigo da paz e do amor!!!
Iniciar o Ano Novo é celebrar a vida acolhendo-a como oportunidade de novos projetos. Numa grande caminhada, muitos iniciam a “largada” e no decorrer do percurso acabam fazendo outras opções. Chegar ao final também pode ser uma questão de escolha, mesmo que este final não seja a conclusão definitiva do trajeto, mas parte de um percurso que nos impulsiona a novos passos, novos vôos. O ano novo é este  momento privilegiado de novos sonhos!!! Um abençoado 2016 a todos nós!!! É com este sentimento que partilho minha primeira reflexão nesse ano...a respeito da beleza e do dom da amizade. Boa leitura!!!"


Constata-se em nossa caminhada que a vida se move num constante encontro e separação frente ao horizonte que converge à felicidade. Nota-se que diversas pessoas permeiam nossa relação desde a fecundação, gestação, nascimento, e continuam até o seu declínio: a morte. O encontro com estas pessoas demonstra que somos seres de relação e a nossa realização não se concretiza na solidão, mas, na interação que a vida oportuniza.
Na medida em que ganhamos autonomia, a responsabilidade pelo cuidado do outro torna-se também nossa. É opinião geral que não se escolhe pai, mãe, irmãos, irmãs, pois, são anteriores às nossas opções. Acolhemo-los e amamos como são, pois são partes essenciais de nossa identidade. Damos a eles significado na proporção que nos desenvolvemos, configurando-se assim na primeira comunidade que nos acolhe, cuida, educa, de certa maneira “modela” nossa personalidade.
O nascimento ao nos trazer ao mundo proporciona o encontro com o desconhecido. O parto por sua vez é a nossa primeira aventura com a separação. O choro de um bebê pode ser assim interpretado. Saímos do conforto do útero materno para enfrentar o mundo e não se tem certeza por quanto tempo se ficará nele. Manter-se vivo implica múltiplos elementos, mas, diretamente o cuidado de quem nos trouxe ao mundo. Imaginar a fragilidade que representa um recém-nascido, totalmente dependente de terceiros, remete-nos indiscutivelmente a contemplar que somos o que somos porque tivemos pessoas que nos amaram e continuam nos amando. E o amor é o grande mistério que move o ser humano.
Com o passar dos anos amplia-se o universo das relações. A escola, comunidade, igreja, estudo, trabalho, nos acrescentam pessoas com quem passamos a conviver. O contato inicialmente nos faz meros colegas de um mesmo espaço. Aos poucos a proximidade e a identificação possibilitam a constituição da amizade. Ela promove o nascimento da confiança, da partilha, do cuidado. O próprio conhecimento humano. E quem são os amigos? É um questionamento que não tem resposta que a conceitue de maneira definitiva. Somente a vivência consegue demonstrar na sua totalidade. Descrever seria uma tentativa de esboçar aquilo que apenas a experiência concreta oferece.
Afirma-se que os amigos são pessoas escolhidas para caminharem conosco. Analisando esta frase percebe-se que esta escolha não acontece de maneira breve e não depende de uma única pessoa. Pode-se desejar ser amigo de alguém e fazer todo o esforço para alcançar este fim. No entanto, uma parcela da resposta e também do esforço cabe a outra pessoa. Vendo assim, pode-se concluir que a escolha dos amigos é uma escolha recíproca, cabendo ao outro corresponder ou não a esta manifestação.
Comumente o termo “amigo” soa como algo muito simples. Porém, quem vivencia sabe a profundeza do seu significado, a exigência que representa seu cultivo e a raridade que é encontrar no cotidiano da vida. Por outro lado, encontrar um amigo de verdade é uma imensa alegria. Quem assim o fez, tornou-se uma pessoa privilegiada. Diz a música que “quem encontrou um amigo jamais morrerá”. Estas são tentativas de descrever a beleza e a riqueza que este encontro promove.

Aristóteles, na sua obra Ética a Nicômaco, no livro VIII, reflete sobre a amizade, distinguindo em três tipos. As duas primeiras ele chama de amizades acidentais e são baseadas na utilidade e no prazer. No centro dela está o interesse. Ela continua a existir enquanto é útil. Perdendo tal finalidade, extingue-se também a amizade. Segundo o filósofo “Aqueles que fundamentam sua amizade no interesse, amam-se por causa de sua utilidade, por causa de algum bem que recebem um do outro, mas não amam um ao outro por si mesmos. O mesmo se pode dizer a respeito dos que se amam por causa do prazer; não é por causa do caráter que os homens amam as pessoas espirituosas, mas porque as consideram agradáveis”. (p. 175)
O terceiro tipo, Aristóteles classifica como a amizade verdadeira porque se fundamenta não na utilidade e nem no prazer. Ela tem o fim em si mesma e caracteriza-se pela reciprocidade. Nesta, os amigos desejam o bem um ao outro na mesma intensidade. Assim sendo, esta exige tempo para ser edificada, pois a confiança e a própria abertura só nascem com a proximidade. É no cotidiano que a amizade vai sendo construída. Conhecemos o outro e nos deixamos também conhecer. Aristóteles enfatiza que “é natural que tais amizades sejam raras, pois homens assim são também raros. Além, disso, uma amizade dessa espécie exige tempo e intimidade. Como diz o provérbio, as pessoas não podem conhecer-se mutuamente enquanto não tiverem “consumido muito sal juntos”; e tampouco podem se aceitar como amigos enquanto cada um não parecer digno de amizade ao outro, e este não lhe houver conquistado a amizade. (p. 176)
Em cada lugar onde fazemos a caminhada, encontramos pessoas com quem estabelecemos amizade e passamos a considerar amigos e consequentemente irmãos. Com eles partilhamos os desafios, sonhos e projetos, e a vida torna-se mais bela. A certeza de não estar sozinho faz toda a diferença, pois cada momento celebrado, cada conquista festejada não é um momento individual. Assim sendo, a VIDA tem a sensibilidade e a contribuição silenciosa dos amigos que em algum momento partilharam um pouco de si.
Sendo a dinâmica da vida uma busca frequente pela realização no campo profissional, intelectual, social, vocacional, entre outros, tal movimento se alterna entre “chegada” e “partida”. Negar o sofrimento que nos invade nessas circunstâncias seria ridículo. Ser indiferente ao sentimento não nos faz mais fortes, pelo contrário, diminui muito mais a nossa dimensão humana. Intenso egoísmo seria evitar fazer amigos no intuito de evitar o sofrimento no momento de ir embora. Esses momentos nos fazem perceber se embarcamos na vida de fato ou somente passamos por ela.
Embora trilhemos os mesmos trajetos, vivenciemos os mesmos momentos, a percepção que cada pessoa abstrai sempre será diferente. O significado maior da amizade é que nos fazem ser mais humanos. Nesse contexto, separar-se dos amigos é sempre difícil. No entanto, não se pode evitar. As pessoas não são eternas e em algum momento a despedida “adeus, até mais, até logo...” será preciso. Compreendemos com o tempo que cada partida carrega consigo os sonhos a serem concretizados, lugares a serem conhecidos, pessoas a serem amadas, Reino de Deus a ser construído. O próprio evangelho nos adverte “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.” (Jo 12, 24)
Não estar presente fisicamente não significa a extinção da amizade. Os meios de comunicação na atualidade são recursos que nos colocam em comunhão com os amigos que caminham do outro lado. A amizade perdura se ela continua a ser cultivada, cuidada. Esta seja talvez a grande responsabilidade da vida. Aristóteles fala que “A distância não faz desaparecer a amizade em absoluto, mas somente a sua atividade. No entanto, se a ausência se mantém por muito tempo, parece de fato fazer com que as pessoas esqueçam sua amizade; e vem daí o provérbio ‘a ausência desfaz as amizades’.” (p. 178) Entende-se assim que a amizade não é fruto do acaso, mas dom de Deus. Sendo dom, a gratuidade se enriquece na partilha. Bendigo ao Senhor pelos amigos que a vida propiciou construir. Na distância que cada um caminha, a alegria e os desafios da caminhada se revestem de significado e nos animam na missão de portadores da Boa Nova à toda humanidade! E até que nos reencontremos, que a oração seja a nossa grande sintonia a nos colocar em comunhão!
Amigo e irmão de Ananindeua-PA

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Estágio Vocacional, comunidade de Filosofia

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A vontade é de Deus, mas a atitude é sua!