quarta-feira, 17 de agosto de 2016

“VINDE E VEDE”


(Gilberto Santos)

Sou Gilberto, tenho 28 anos, vim de “bem dali” onde tem água boa e ‘sombra fresca”. Meu pai é Adonel e minha mãe Maria de Lourdes, tenho 8 irmãos que moram  em – eu chamo de mundo- São Felix do Xingu, no estado – alguns chamam de país- do Pará.
Hoje paro um pouco para falar da minha caminhada vocacional. Falar desta busca é reencontrar os anseios, as motivações as vezes adormecidas. Lembro que esta vocação missionária nunca tinha passado em minha cabeça e se alguém sugerisse este modelo de vida, eu logo descartava qualquer nível de possibilidade. Foram muitas vezes que disse: “não, quero cuidar de meus filhos e ser professor de matemática”.
Depois de tantos não decididos, em uma manhã do mês de março de 2008, padre José Borghesi, Xaveriano, meu amigo, se atreveu em tocar no assunto com todas as palavras. Ele perguntou se eu não queria fazer uma experiência para conhecer mais de perto a Congregação Xaveriana. O meu não foi imediato. Ele falou de forma simples e objetiva, de modo que depois de algum tempo de reflexão daquele chamado, ainda ecoava em minha cabeça. Foi por isso que o meu não, não adiantou. Por noites, ficou em minha mente o refrão: lá na praia, eu larguei o meu barco, junto a Ti buscarei outro mar’. O fato é que nunca fui pescador, e até então, nunca tinha visto nem barco, nem praia. Foi aí que parodiei este refrão para: “lá na roça, deixei as enxadas, junto a Ti carpirei outro lar”.
Cidade de São Caetano de Odivelas - PA
Quando três meses se passaram, comuniquei à minha mãe e liguei para o padre José. A partir daí conheci padre Luiz Toledo, padre Luiz Amadeu, padre René, que me ajudaram no discernimento. Depois desse tempo, saí de casa dia 27 de dezembro de 2010 e fui acolhido na Comunidade Paroquial de São Félix do Xingu, onde terminei o ensino médio. No ano seguinte, foi Pe. Valter Parise que me acolheu no Seminário em Ananindeua. Foi aí que cursei a filosofia.
Gilberto e o seu  promotor vocacional Pe. Luiz Toledo
Deixei pai, mãe, irmãos e sobrinhos. Descobri com o tempo que estes formavam o meu barco. Isso me leva a acreditar em um mundo de irmãos, acreditar no humano e nos desígnios Daquele que nos chamou à vida. Significa uma gota de água no oceano, um grão de areia que busca ocupar o seu lugar. Significa não perder a esperança na promessa e o sinal se torna real diante da resposta “eis-me aqui Senhor”.

Há coisas e causas que procuramos para dá um sentido à vida. Nesta procura não podemos deixar de ouvir Aquele que nos chama onde quer que Ele chama, e por vez, fazer a vez de Pedro respondendo “Senhor, em teu nome lançarei as redes”. Seguindo a caminhada na formação missionária, hoje me encontro no Noviciado Xaveriano, em Hortolândia, São Paulo. Sou feliz em percorrer este caminho, pois, como disse papa Bento XVI “quem escolhe Cristo não perde nada, mas ganha tudo”, “nada perde, nada absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande”
Pastoral na paróquia São Guido Maria Conforti / 2016

domingo, 14 de agosto de 2016

AS MÃOS E O CORAÇÃO NO MUNDO...

[Giomar Henrique Clemente]
Foto tirada no 'Museu da vida', Curitiba-PR / 2015
Pensar no missionário e missionária como apenas os religiosos, religiosas, os padres, é limitar-se apenas numa faceta do grande mosaico vocacional que a Igreja constitui. É compreensível que ainda tais concepções perdurem em algumas realidades, afinal, por anos enfatizou-se apenas este aspecto sempre que se tratava da vocação, atribuindo-lhe soberania. Por outro lado, a Igreja caminha, e o caminho modifica as concepções a luz do Espírito Santo. Hoje, não cabe mais esta desculpa, embora se perceba que a mudança desta concepção ainda é lenta. É tempo de largar as nossas “muletas” e viver de fato o nosso batismo. Viver implica também conhecer a nossa fé, adentrar a superfície e conhecer o “interior da casa”. É um esforço possível que compete a todos nós. O Documento de Aparecida, nos números 209 e 210, falando sobre os leigos, ressalta:
Os fiéis leigos são ‘os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo’. São ‘homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja’.
Sua missão própria e específica se realiza no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, contribuam para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho. ‘O espaço próprio de sua atividade evangelizadora é o mundo vasto e complexo da política, da realidade social e da economia, como também da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos ‘mass media’, e outras realidades abertas à evangelização, como o amor, a família, a educação das crianças e adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento’. Além disso, eles têm o dever de fazer crível a fé que professam, mostrando autenticidade e coerência em sua conduta.
Entender que o carisma Xaveriano é um presente dado à toda Igreja, é olhar que ele não se fecha nos consagrados (religiosos, padres). É uma vocação que também toca e germina no coração do leigo, da leiga, e tem nela um terreno fértil de missão. A imagem do “fermento na massa” é uma analogia cabível e sintetiza bem esta vocação. Nesse sentido e nesta alegria, apresentamos a partilha do Geraldo a respeito da sua vocação na família de São Guido Maria Coforti. Para quem quiser conhecer algo a mais sobre os Leigos Missionários Xaverianos, acesse o endereço: http://leigosxaverianos.blogspot.com.br/
Boa leitura!

LEIGOS MISSIONÁRIOS XAVERIANOS

                                                                                               (Geraldo Pereira)
Geraldo Pereira

O começo de tudo...

É importante sempre em toda história e assim na história vocacional, voltar e visitar a origem de tudo, o germinar da resposta que continua sendo dada hoje. Sou Geraldo do Carmo Pereira, Leigo Missionário Xaveriano, moro na cidade de Hortolândia, São Paulo, e participo da Paróquia São Guido Maria Conforti, onde estão presentes os Missionários Xaverianos. Eu e minha família sempre tivemos proximidade com os xaverianos, particularmente com a Comunidade Xaveriana do Noviciado. Foi nesta vivência nutrida por vários anos, que acompanhando os seus trabalhos e a dedicação de vários jovens que passavam pela Casa de formação, que despertou a vocação missionária na família de São Guido. Foi um desejo diferente de ver as coisas, os trabalhos pastorais nas comunidades. Diante disso, foi profundo perceber a necessidade de ter um objetivo principal em todas essas ações. Ir ao encontro do outro, não ficar esperando as pessoas. Nesta saída, levar o Evangelho de Jesus à quem ainda não o conhece. Sair compreendido aqui, não apenas como não ficar dentro das capelas, igrejas, mas, principalmente sair dentro de nós mesmos.
Geraldo e família na ocasião do níver de Pe. Lucas
Em 2010, por iniciativa do Pe. João Bortoloci (xaveriano), marcou-se uma reunião com vários ex-seminaristas e algumas pessoas próximas dos xaverianos. Nesse encontro surgiu a ideia de formar os Leigos Missionários Xaverianos. Eu estava presente e testemunho que foi maravilhoso. Estávamos em 12 pessoas no início, e foi bom dar esse passo, sonhar este sonho.

O significado hoje...

Após este tempo de caminhada, surpreende-me olhar a trilha construída e se alegrar com tantos outros irmãos e irmãs que também abraçaram este projeto vocacional. Hoje nos preparamos para realizar nossa 6ª Assembléia dos Leigos Missionários Xaverianos, que acontecerá em novembro deste ano, na cidade de Coronel Fabriciano, Minas Gerais. É o sétimo ano de vida dos Leigos Missionários Xaverianos.
Leigos Missionários Xaverianos em companhia de Pe. Domingos e Pe. Rafael
No início, tínhamos pressa em aprovar o Estatuto. Porém, com o tempo, percebemos muitas outras coisas que eram prioritárias. Ser Leigo Missionário Xaveriano hoje, me faz sentir bem. Gosto muito porque é uma vocação que não nos deixa acomodado. Deixa-nos atento com o que está acontecendo com o outro, sentindo assim que o outro está próximo de nós, e que todos são nossos irmãos. O outro, o distante, não é apenas aquele que está longe fisicamente. Pode ser também aquele que está dentro de nossa casa. Ser Leigo Missionário Xaveriano ensina que devemos “Fazer do mundo inteiro uma só família”, começando no nosso pequeno lugar de missão. É um prazer muito grande ser parte desta família missionária e viver aqui a minha vocação xaveriana!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

MISSIONÁRIO XAVERIANO NO JAPÃO

"Na semana em que recordamos e celebramos a vocação do padre, trazemos na íntegra, a partilha vocacional do padre Michel, missionário Xaveriano em missão no Japão. Nossa gratidão desde já pela sua disponibilidade ao nosso convite e pelo testemunho que também nos enche de alegria nesta mesma caminhada! Acompanhem a partilha!" (Giomar Henrique Clemente)
====================//===================================

VOCAÇÃO...

(Pe. Michel Luciano) 
Pe. Michel e as professoras da creche, festa de comemoração do verão- Japão
Eu me chamo Michel Luciano Augustinho da Rocha. A minha família é constituída dos meus pais, já falecidos, e tenho uma irmã mais nova. Nasci em Centenário do Sul, norte do Paraná, no dia 21 de abril de 1977. A minha comunidade de origem é a Paróquia Nossa Senhora das Graças de Centenário do Sul. 

CHAMADO VOCACIONAL...

A minha família é originária da Itália. Os meus bisavós vieram ainda pequenos da Itália, fugindo da pobreza da Primeira Guerra Mundial. No inicio vieram para São Paulo, e depois, para trabalhar nas plantações de café, foram para o norte do Paraná. A minha família sempre foi muito católica. Desde recém-nascido, os meus pais me levavam à missa. A paróquia foi fundada pelos Xaverianos e eu frequentei toda a catequese alí. Desde os 7 anos de idade entrei no grupo dos coroinhas e todos os dias eu frequentava a missa. Nas quintas e sextas-feiras, junto com os Padres da paróquia, eu ia às fazendas para a missa. Esse fato foi muito importante para despertar a minha vocação, pois via que as pessoas das fazendas esperavam com muita alegria os padres, e como tinha a missa somente uma vez por mês, não tinha somente a missa, mas também confissões, primeira-comunhão, batizados.
Fui coroinha dos 7 aos 14 anos de idade. Nós éramos um grupo de 40 crianças. Nesse tempo trabalhavam na paróquia os padres Pietro Lamana, Flavio Cossu, Giuseppe Chiarelli e Giovanni Femminella. Era uma comunidade muito bem animada, e dava para perceber que eles gostavam de trabalhar juntos. Até os 14 anos de idade, nenhum deles falou nada sobre a vocação sacerdotal missionária. Como eu estava terminando a 8ª serie, e tinha que pensar o que fazer como 2° grau, o padre Flavio que me conhecia muito bem, me convidou para fazer um Encontro vocacional no Seminário de Londrina. Esse encontro durou um final de semana.
Durante esse encontro, eu deixei que Deus pudesse me falar através das palestras e das orações que nós fizemos. Eu conhecia muito bem os Xaverianos, pois fui batizado por um Xaveriano, padre Renato Gotti. Fiz a minha primeira confissão e comunhão com um Xaveriano, padre Flavio, e fui crismado pelo Bispo Dom Geraldo Majella Agnelo, Bispo de Londrina, mas tinha os Xaverianos ao lado dele. No final desse encontro, o Reitor do Seminário, padre José Maria Ribeiro dos Santos veio falar comigo e me convidou para entrar no próximo ano no Seminário. Eu sem pensar muito, disse sim, e em 02 de fevereiro de 1992, entrei no Seminário Xaveriano de Londrina. Eu tinha 14 anos de idade quando entrei. Nunca tinha passado mais de 3 dias fora de casa. No início, a maior dificuldade foi por parte da minha família, principalmente da minha mãe, pois era muito difícil para ela não ter mais perto dela o filho. Também para o meu pai foi difícil, pois ele tinha o sonho que eu seria advogado. Mas os anos se passaram, e eles se convenceram que a minha estrada era aquela missionaria, e ficaram muito felizes por isso. Como sempre foram muito fervorosos, ajudando muito na paróquia. Eles deixaram com que Deus pudesse chamar o filho deles para seguir a Jesus na vocação consagrada xaveriana.

DECISÃO DE VIVER A VOCAÇÃO...

Acredito que não foi somente no dia 02 de fevereiro de 1992 que eu decidi de viver a vocação missionária xaveriana. Tanto antes, como depois, tiveram vários fatos que fizeram com que eu renovasse essa decisão. O meu processo de formação começou em Londrina, mas depois de 4 anos, os outros 4 da minha turma desistiram e eu fiquei sozinho para ir à Curitiba, na etapa da Filosofia. Mesmo assim, fui para Curitiba e comecei a Filosofia.
Nesse primeiro ano, no dia 01 de setembro de 1996, minha mãe morre de repente de enfarto do coração. Eu estava em Curitiba e ela em Centenário do Sul. Esse fato foi muito importante para novamente decidir de viver a vocação xaveriana, pois tanto meu pai, como minha irmã ficaram muito abalados com essa morte, e com o apoio dos meus formadores e também da comunidade, pude continuar a formação e os estudos. Depois, no final da etapa da Filosofia, também ali fiquei sozinho mais uma vez. Como deveria fazer o Noviciado, foi decidido que eu fosse para a Itália, fazer o noviciado em Ancona. Acredito que esse momento também foi um renovação da decisão.
Ter feito o noviciado internacional em Ancona ajudou muito na minha vocação, pois foi a primeira vez que experimentei a realização do sonho do nosso Fundador: que o mundo seja uma só família. Pois, éramos italianos, espanhóis, um dos USA e eu de brasileiro, como noviços. Mas todos nos sentíamos na mesma família. Também durante o período de Teologia na Itália tiveram vários fatos que me ajudaram a fortalecer a decisão tomada tantos anos atrás. Ali também nós éramos 25 estudantes de 8 países diferentes. Essa experiência foi desafiadora, e ajudou muito a moldar a minha vocação.
Fui ordenado no dia 29 de abril de 2006 em Centenário do Sul. Depois de 3 dias, morreu minha avó materna, madrinha do meu batismo. Depois de 1 mês, no dia 01 de junho de 2006, morre também meu pai, depois de ter lutado contra um câncer no cérebro por 5 anos. Também esses momentos me ajudaram a amadurecer na decisão. Na vida existem tantos fatos, pessoas, situações que Deus coloca para que a decisão vocacional, assim como o ouro é forjado no fogo, também essa seja purificada.

O SIGNIFICADO HOJE...

Atualmente eu me encontro na missão do Japão, já fazem 9 anos. A primeira missão onde fui mandado, depois dos dois primeiros anos de estudo da língua, foi na cidade de Miyazaki, na ilha do Kyushu, sul do Japão. Ali eu tive a primeira oportunidade de entrar em contato com um dos meios de apostolado que os Missionários Xaverianos utilizam aqui no Japão, que é o trabalho nas creches. Entre as obras utilizadas como meio de apostolado no Japão, o trabalho nas creches ocupa um lugar digno de consideração. Nós somos 33 Xaverianos que trabalham aqui Japão. Desses 33 missionários, bem 17 deles ou trabalharam por muitos anos e agora são em pensão, ou ainda trabalham nas creches. Eu atualmente sou vice-diretor de uma creche que tem 300 crianças, na cidade de Izumisano, na ilha do Kansai.
Dia da formatura das crianças do terceiro ano, na creche - Japão
Além do trabalho na creche, eu também sou pároco de uma paróquia. O trabalho nas creches é um importante meio para o nosso trabalho missionário aqui, mesmo que os resultados não se vêem em curto prazo. Um dos pontos mais positivos que este trabalho nos dá, consiste nos contatos que temos com as famílias das crianças. Esses contatos são mais ou menos longos, de acordo com quantos filhos o casal tem, e por quantos anos eles colocam as crianças na creche. A creche trabalha com crianças que vão dos 3 aos 5 anos de idade. Depois disso, as crianças entram na escola normal japonesa.
O objetivo principal do nosso trabalho na educação é aquele de anunciar Jesus Cristo. A aplicação prática desse princípio pode ser diferente, dependendo do lugar. Onde, por exemplo, o Budismo tem uma grande influência, o objetivo principal da creche é criar uma atmosfera de simpatia. Sempre, porém, nós buscamos em qualquer lugar ganhar a confiança dos pais das crianças e também das autoridades locais. O nosso contato, seja com a prefeitura, seja com o corpo de Bombeiros, a Polícia e os hospitais, aqui no bairro são constantes. Outro aspecto que nós procuramos animar é o contato constante entre as mães católicas da paróquia e as mães das crianças da creche que não são cristãs. Para que isso aconteça, o trabalho precisa ser sobre a direção de um missionário, para ajudar nesse conhecimento mútuo das duas partes.
O método mais comum e eficaz que nós utilizamos com o objetivo de fazer conhecer aos pais, Jesus Cristo, é aquele de se reunir mensalmente com as mães. Nessas reuniões, os pontos que tratamos não são de promoção religiosa, mas sim, ligados propriamente à educação dos filhos em base aos princípios católicos. Para obter mais facilmente este objetivo, são distribuídos alguns livrinhos que tratam de problemas educativos, sociais, éticos e domésticos. Durante os encontros mensais, os argumentos são: 1. Dever dos pais com os filhos e vice-versa; 2. Espírito fundamental da educação; 3. A existência de Deus; 4. O objetivo da vida e 5. Uma educação sem Deus é inútil.
Um dia de Encontro com as mães das crianças-Japão
Não é raro que depois desses encontros muitas mães exprimam o desejo de estudar mais profundamente a religião católica para poder dar uma educação melhor para os filhos. Nesse caso, as famílias das crianças conhecem melhor a Igreja e assim, o campo é pronto para “jogar a semente da Palavra de Deus”. É claro que a influência das crianças na conversão dos pais depende da capacidade da creche em formar um bom caráter. As crianças com naturalidade e simplicidade infantil repetem tudo aquilo que aprenderam na creche, em casa. Quando nós falamos com as crianças sobre o nascimento de Jesus, a sua morte, da criação como obra de Deus, elas repetem tudo em casa, e, depois, os pais falam desses argumentos quando encontram as professoras. A porcentagem de conversões aumenta ainda mais quando os filhos participam dos encontros que oferecemos aos sábados, depois que eles terminaram o curso da creche. São encontros de catequese abertos para as crianças de 6 a 15 anos de idade. Atualmente temos 100 crianças que participam.
Primeiro dia de escola das crianças-Japão
Enfim, temos muito esperança, que através desse serviço, muitos japoneses irão encontrar Jesus Cristo. Nós apenas semeamos a Palavra de Deus, mas temos a fé que essa Palavra um dia vai dar muitos frutos, pois quem faz germinar e crescer é Deus. E nós somos apenas humildes semeadores.
Crianças em classe-Japão

MENSAGEM...

Sempre gostei de pensar que antes da criação do mundo, antes mesmo que cada um de nós existisse, Deus nos escolheu pessoalmente para entrar em uma relação de filhos com Ele. Jesus morrendo por nós nos colocou no mistério de amor de Deus Pai, através do Espirito Santo. Cada um de nós é chamado por Deus a viver como irmãos e irmãs de Jesus, nos sentindo filhos de um mesmo Pai. Esse é um dom que destrói qualquer projeto exclusivamente humano. Não podemos cair na tentação de nos sentir autossuficientes até o ponto de fechar o nosso coração ao plano de Deus para cada um de nós.
O amor de Deus, através do seu filho Jesus, pela força do Espirito Santo nos chama. Para responder a esse chamado de Deus não precisa ser perfeito. A fragilidade e os limites humanos não são um obstáculo, porque contribuem para nos fazer entender que precisamos da graça de Deus. Devemos nos lembrar da recomendação de Jesus: “A messe é grande, mas poucos são os operários! Orai para que o dono da messe mande operários à sua messe!” (Mateus 9, 37). Não surpreende que, onde se reza com fervor, as vocações florescem. A santidade da Igreja depende essencialmente da união com Cristo e da abertura ao mistério da graça que opera nos corações das pessoas.
Procissão de Nossa Senhora no mês de maio- Japão
Gostaria, portanto, de convidar todos os fiéis a cultivar uma íntima relação com Cristo, Mestre e Pastor do seu povo, imitando Maria, que guardava no seu coração os divinos mistérios e os meditava assiduamente (Lucas 2, 19). E se Deus estiver te chamando para se consagrar totalmente à Ele, não feche o seu coração!

JUVENTUDE XAVERIANA...3º Encontro preparatório...

(Giomar Henrique Clemente)

Divulgação criada por Pe. Felipe
Ocorreu ontem, 07 de agosto de 2016, na chácara dos Missionários Xaverianos, Paróquia São Guido Maria Conforti. O encontro teve como finalidade, reunir a família dos jovens que participarão no "Encontrão" em Londrina nos dias 26, 27, e 28 de agosto do corrente ano. O início foi as 10:00hs com a exibição do filme "Os Croods", cujo abordagem se aplicava a elementos sobre a relação familiar, de maneira especial frente ao novo. Deixar as "cavernas" e caminhar "na direção da luz" era um dos aspectos centrais da mensagem do vídeo.

A seguir, explicou-se aos pais e familiares que a Juventude Missionária Xaveriana é esta novidade que ainda está sendo formada, modelada. Como tudo que é novo, pode também esbarrar em incompreensões, resistência, fechamento, mas, a superação de tais barreiras só é possível por meio da acolhida e do conhecimento mais de perto de sua verdadeira proposta. Nesse sentido, os jovens que participaram dos encontros preparatórios (I e II) e aqueles que participarão do Encontrão em Londrina, têm desde já esta tarefa de fazer crescer a semente lançada na terra. Todo acolhimento passa pela identificação, e assim se espera que esta nova iniciativa, sobretudo do carisma xaveriano, possa também ganhar espaço no coração da juventude.
Continuando, passou-se informações referente a viagem, como: data, horário, local, hospedagem, bem como a contribuição financeira para o evento. Recordou-se ainda que a caminhada do grupo não encerra com o Encontrão, pelo contrário, é a partir dele que ganha proporção para a concretização dos próximos passos. Os participantes do II Encontro anual, ao retornarem para a paróquia, possuem o compromisso de repassar aos que não foram, tudo o que aconteceu. É esta partilha que somará força na concretização do grupo.
Por fim, como já estava programada, houve a feijoada de confraternização com todos os presentes, continuada por brincadeiras e momentos de convivência. Também estiveram presentes os Leigos Missionários Xaverianos, cuja presença é sempre significativa. Aos jovens, desejamos um ótimo Encontro em Londrina, e que o carisma xaveriano possa achar morada e cuidado no coração, para daí se traduzir em gestos de misericórdia para o mundo inteiro! Parabéns Juventude!

REZAR PELAS VOCAÇÕES

(Giomar Henrique Clemente)
“A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos! Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita! ” (Mt 9, 37-38)

Gente querida, cumprimentos de paz e alegria missionária em Jesus Cristo!
Iniciamos o mês de agosto, mês vocacional, e com ele somos convidados a refletir um pouco mais a respeito de nossa vida e do tesouro que ela se configura, pois, ela é a nossa primeira vocação. A palavra vocação origina-se do latim “vocare”, e significa “chamar”. Nesse aspecto, vocação é um chamado. É sempre relação entre dois personagens: um que chama e outro que é chamado, que escuta, que responde. No ambiente religioso-cristão, é o chamado de Deus para uma missão, um serviço. Este será o tema da nossa conversa neste mês, visto que não se esgota sua reflexão, mas sempre se torna atual. E começamos assim rezando esta oração vocacional xaveriana:
“Senhor da messe e Pastor do Rebanho, somos tua Igreja, povo de Deus a serviço da vida. Ajudai-nos a sermos corresponsáveis na Evangelização, escutando o teu mandato: “Ide e Anunciai o Evangelho!”. Desperta em nossas comunidades a graça da vocação religiosa, sacerdotal, missionária, e dos vários ministérios leigos para o serviço do vosso Reino. Senhor, fazei que sob o olhar carinhoso de Maria, Mãe e modelo de todos os vocacionados, possamos responder com amor, à missão a qual cada um de nós é chamado. Amém! ”
Assim se reza todos os dias da semana, logo após a comunhão, a Comunidade na qual partilhamos a vida nesse período do noviciado. Foi a primeira constatação quando aqui cheguei, e considero interessante como esta oração tornou-se hábito no povo, ao menos à este grupo que celebra conosco a Eucaristia e também a Liturgia das horas. Grupo pequeno, porém, constante, fiel. Afirmo ser a primeira comunidade que tomo conhecimento que cultiva este gesto discreto, mas, profundo. O “fermento” que faz crescer a massa.
É indiscutível que toda vocação tem como fonte-primeira de vida, a oração. É no dobrar os joelhos, no inclinar a cabeça, no fechar os olhos, no silenciar, no se encontrar com Ele, que reside a diferença em todo vocacionado, seja qual for o seu ministério. Não pode haver vida naquele que não sacia a sede e a fome; não pode haver amizade naquele que não nutre, que não cultiva, que não se relaciona. Esta é a dinâmica vocacional numa caminhada que sempre está em construção. É na grande-Fonte, que é o próprio Deus, que vivemos a nossa vocação.

Nesse sentido, reunimos nesse mês, de maneira especial, alguns relatos e testemunhos de nossos irmãos e irmãs a respeito da vocação xaveriana. São expressões de quem continua a dar passos na caminhada, porque um dia descobriu-se amado, amada, por Deus. Faço votos de que estas partilhas despertem também em você o desejo de cuidar mais de sua ‘semente vocacional’.         
Um ótimo mês vocacional!