quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Outro Eu...O dom da amizade...

"Cumprimentos de feliz ano novo! Que o coração humano seja o abrigo da paz e do amor!!!
Iniciar o Ano Novo é celebrar a vida acolhendo-a como oportunidade de novos projetos. Numa grande caminhada, muitos iniciam a “largada” e no decorrer do percurso acabam fazendo outras opções. Chegar ao final também pode ser uma questão de escolha, mesmo que este final não seja a conclusão definitiva do trajeto, mas parte de um percurso que nos impulsiona a novos passos, novos vôos. O ano novo é este  momento privilegiado de novos sonhos!!! Um abençoado 2016 a todos nós!!! É com este sentimento que partilho minha primeira reflexão nesse ano...a respeito da beleza e do dom da amizade. Boa leitura!!!"


Constata-se em nossa caminhada que a vida se move num constante encontro e separação frente ao horizonte que converge à felicidade. Nota-se que diversas pessoas permeiam nossa relação desde a fecundação, gestação, nascimento, e continuam até o seu declínio: a morte. O encontro com estas pessoas demonstra que somos seres de relação e a nossa realização não se concretiza na solidão, mas, na interação que a vida oportuniza.
Na medida em que ganhamos autonomia, a responsabilidade pelo cuidado do outro torna-se também nossa. É opinião geral que não se escolhe pai, mãe, irmãos, irmãs, pois, são anteriores às nossas opções. Acolhemo-los e amamos como são, pois são partes essenciais de nossa identidade. Damos a eles significado na proporção que nos desenvolvemos, configurando-se assim na primeira comunidade que nos acolhe, cuida, educa, de certa maneira “modela” nossa personalidade.
O nascimento ao nos trazer ao mundo proporciona o encontro com o desconhecido. O parto por sua vez é a nossa primeira aventura com a separação. O choro de um bebê pode ser assim interpretado. Saímos do conforto do útero materno para enfrentar o mundo e não se tem certeza por quanto tempo se ficará nele. Manter-se vivo implica múltiplos elementos, mas, diretamente o cuidado de quem nos trouxe ao mundo. Imaginar a fragilidade que representa um recém-nascido, totalmente dependente de terceiros, remete-nos indiscutivelmente a contemplar que somos o que somos porque tivemos pessoas que nos amaram e continuam nos amando. E o amor é o grande mistério que move o ser humano.
Com o passar dos anos amplia-se o universo das relações. A escola, comunidade, igreja, estudo, trabalho, nos acrescentam pessoas com quem passamos a conviver. O contato inicialmente nos faz meros colegas de um mesmo espaço. Aos poucos a proximidade e a identificação possibilitam a constituição da amizade. Ela promove o nascimento da confiança, da partilha, do cuidado. O próprio conhecimento humano. E quem são os amigos? É um questionamento que não tem resposta que a conceitue de maneira definitiva. Somente a vivência consegue demonstrar na sua totalidade. Descrever seria uma tentativa de esboçar aquilo que apenas a experiência concreta oferece.
Afirma-se que os amigos são pessoas escolhidas para caminharem conosco. Analisando esta frase percebe-se que esta escolha não acontece de maneira breve e não depende de uma única pessoa. Pode-se desejar ser amigo de alguém e fazer todo o esforço para alcançar este fim. No entanto, uma parcela da resposta e também do esforço cabe a outra pessoa. Vendo assim, pode-se concluir que a escolha dos amigos é uma escolha recíproca, cabendo ao outro corresponder ou não a esta manifestação.
Comumente o termo “amigo” soa como algo muito simples. Porém, quem vivencia sabe a profundeza do seu significado, a exigência que representa seu cultivo e a raridade que é encontrar no cotidiano da vida. Por outro lado, encontrar um amigo de verdade é uma imensa alegria. Quem assim o fez, tornou-se uma pessoa privilegiada. Diz a música que “quem encontrou um amigo jamais morrerá”. Estas são tentativas de descrever a beleza e a riqueza que este encontro promove.

Aristóteles, na sua obra Ética a Nicômaco, no livro VIII, reflete sobre a amizade, distinguindo em três tipos. As duas primeiras ele chama de amizades acidentais e são baseadas na utilidade e no prazer. No centro dela está o interesse. Ela continua a existir enquanto é útil. Perdendo tal finalidade, extingue-se também a amizade. Segundo o filósofo “Aqueles que fundamentam sua amizade no interesse, amam-se por causa de sua utilidade, por causa de algum bem que recebem um do outro, mas não amam um ao outro por si mesmos. O mesmo se pode dizer a respeito dos que se amam por causa do prazer; não é por causa do caráter que os homens amam as pessoas espirituosas, mas porque as consideram agradáveis”. (p. 175)
O terceiro tipo, Aristóteles classifica como a amizade verdadeira porque se fundamenta não na utilidade e nem no prazer. Ela tem o fim em si mesma e caracteriza-se pela reciprocidade. Nesta, os amigos desejam o bem um ao outro na mesma intensidade. Assim sendo, esta exige tempo para ser edificada, pois a confiança e a própria abertura só nascem com a proximidade. É no cotidiano que a amizade vai sendo construída. Conhecemos o outro e nos deixamos também conhecer. Aristóteles enfatiza que “é natural que tais amizades sejam raras, pois homens assim são também raros. Além, disso, uma amizade dessa espécie exige tempo e intimidade. Como diz o provérbio, as pessoas não podem conhecer-se mutuamente enquanto não tiverem “consumido muito sal juntos”; e tampouco podem se aceitar como amigos enquanto cada um não parecer digno de amizade ao outro, e este não lhe houver conquistado a amizade. (p. 176)
Em cada lugar onde fazemos a caminhada, encontramos pessoas com quem estabelecemos amizade e passamos a considerar amigos e consequentemente irmãos. Com eles partilhamos os desafios, sonhos e projetos, e a vida torna-se mais bela. A certeza de não estar sozinho faz toda a diferença, pois cada momento celebrado, cada conquista festejada não é um momento individual. Assim sendo, a VIDA tem a sensibilidade e a contribuição silenciosa dos amigos que em algum momento partilharam um pouco de si.
Sendo a dinâmica da vida uma busca frequente pela realização no campo profissional, intelectual, social, vocacional, entre outros, tal movimento se alterna entre “chegada” e “partida”. Negar o sofrimento que nos invade nessas circunstâncias seria ridículo. Ser indiferente ao sentimento não nos faz mais fortes, pelo contrário, diminui muito mais a nossa dimensão humana. Intenso egoísmo seria evitar fazer amigos no intuito de evitar o sofrimento no momento de ir embora. Esses momentos nos fazem perceber se embarcamos na vida de fato ou somente passamos por ela.
Embora trilhemos os mesmos trajetos, vivenciemos os mesmos momentos, a percepção que cada pessoa abstrai sempre será diferente. O significado maior da amizade é que nos fazem ser mais humanos. Nesse contexto, separar-se dos amigos é sempre difícil. No entanto, não se pode evitar. As pessoas não são eternas e em algum momento a despedida “adeus, até mais, até logo...” será preciso. Compreendemos com o tempo que cada partida carrega consigo os sonhos a serem concretizados, lugares a serem conhecidos, pessoas a serem amadas, Reino de Deus a ser construído. O próprio evangelho nos adverte “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.” (Jo 12, 24)
Não estar presente fisicamente não significa a extinção da amizade. Os meios de comunicação na atualidade são recursos que nos colocam em comunhão com os amigos que caminham do outro lado. A amizade perdura se ela continua a ser cultivada, cuidada. Esta seja talvez a grande responsabilidade da vida. Aristóteles fala que “A distância não faz desaparecer a amizade em absoluto, mas somente a sua atividade. No entanto, se a ausência se mantém por muito tempo, parece de fato fazer com que as pessoas esqueçam sua amizade; e vem daí o provérbio ‘a ausência desfaz as amizades’.” (p. 178) Entende-se assim que a amizade não é fruto do acaso, mas dom de Deus. Sendo dom, a gratuidade se enriquece na partilha. Bendigo ao Senhor pelos amigos que a vida propiciou construir. Na distância que cada um caminha, a alegria e os desafios da caminhada se revestem de significado e nos animam na missão de portadores da Boa Nova à toda humanidade! E até que nos reencontremos, que a oração seja a nossa grande sintonia a nos colocar em comunhão!
Amigo e irmão de Ananindeua-PA

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Pai Nosso - São João Paulo II

Devemos chamar Deus de Pai, pois Ele é nosso Pai e somos todos irmãos! Chamados a Fazer do Mundo uma só família no Amor!
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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Estágio Vocacional, comunidade de Filosofia

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